Memórias de uma Diáspora Viva (1984 – 2015)

Abertura do Primeiro Congresso das Comunidades Madeirenses Funchal, 28 de Junho - 2 Julho 1984

Bem-vindos a este espaço de memória e identidade.

Muitos falam hoje da Diáspora como um conceito abstrato ou uma ferramenta de marketing, mas para quem viveu as décadas de 80, 90 e o virar do milénio, as Comunidades Madeirenses eram o pulsar de uma "Nona Ilha" vibrante e politicamente activa.

Componho esta narrativa, partilho estes vídeos não apenas como um madeirense no estrangeiro, mas como alguém que serviu esta causa no terreno. Fui nomeado Delegado de 1984 até 1996 e tive a honra de ser eleito desde de então Vice-Conselheiro para as Ilhas do Canal e Reino Unidofunções que exerci com orgulho até ao fim do mandato do Dr. Alberto João Jardim em 2015." 


 António Ramalho Eanes, antigo Presidente de Portugal, cumprimentou a Delegada de Boston, EUA, e conversou connosco na Quinta do Santo da Serra em Junho 1984


Da direita para a esquerda: delegados de Boston, Dr. Alberto João Jardim, a minha mulher e eu, e delegados do Reino Unido e do Dubai.

Missa campal celebrada pelo antigo Bispo do Funchal, D. Teodoro Faria, no Terreiro da Luta, para os Delegados do primeiro Congresso das Comunidades Madeirenses.

Representantes das Comunidades Madeirenses do primeiro Congresso e membros do Governo Regional da Madeira Junho 1984. 

Porquê este Blog?

Sinto que a história destes Congressos — que foram verdadeiros estados-gerais da nossa "Madeirensidade" — está a cair no esquecimento. O modelo actual, segue outros caminhos, mas o que construímos entre 1984 e 2015 foi algo incomparável.

 "1984 – Onde Tudo Começou"

  • As imagens: A apresentação de imagens do I Congresso.
  • O Foco: A visão do Dr. Alberto João Jardim e a emoção daquele primeiro encontro histórico que mudou a relação da Madeira com o mundo.

 A Bênção da Padroeira: Missa no Monte com D. Teodoro de Faria

Subir ao Monte para a missa dedicada aos congressistas e à Diáspora foi o ponto alto do IV Congresso.

  • O Significado: Ver o Bispo D. Teodoro de Faria — um homem que conhecia profundamente a história da nossa emigração — a celebrar especificamente para nós, foi um ato de reconhecimento espiritual.

  • A Memória: Naquela igreja, perante a Nossa Senhora do Monte, não havia conselheiros da Venezuela ou da África do Sul; éramos todos filhos da mesma terra, unidos pela oração e pelo som dos órgãos de tubos que ecoavam a nossa identidade.



Estes vídeos, que capturei e guardei ao longo dos anos, são a prova de que a nossa autonomia se fez com o suor de quem ficou, mas também com a força de quem partiu.

Convido-vos a viajar comigo por estas décadas onde a Madeira não era apenas um ponto no mapa, mas uma nação global.



O Almoço buffet oferecido pelo empresário Jorge Sá

Após o alimento da alma no Monte, veio o alimento da amizade. O almoço oferecido pelo empresário Jorge Sá foi uma lição de hospitalidade.

  • O Gesto: Jorge Sá, um homem afluente e de grande visão, não via o Congresso como um evento político, mas como uma reunião de amigos. Ele abriu as portas e ofereceu o melhor da nossa gastronomia

  • A Homenagem: Infelizmente, o Sr. Jorge Sá já não está entre nós, mas este vídeo imortaliza a sua generosidade. Era neste ambiente descontraído, entre um copo de vinho e uma conversa franca, que as pontas da Diáspora se atavam com mais força.


O ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, inaugura o 5º Congresso das Comunidades Madeireiras. Setembro de 2000.

O V Congresso e a Nova Era do Aeroporto" primeiro video

  • O Vídeo: Os discursos de Jardim, Guterres e Sampaio e a exibição das bandas e folclore.
  • O Foco: O orgulho de ver a Madeira moderna. O impacto que aquela pista teve para os emigrantes e povo da Madeira. 

A Quinta Vigia: O Altar da Diáspora Madeirense

O encerramento do V Congresso das Comunidades Madeirenses (2000) foi um dos momentos mais solenes da nossa história contemporânea. Como Vice-Conselheiro para as Ilhas do Canal e Reino Unido, recordo a atmosfera de profundo respeito e a dignidade com que fomos recebidos na sede da Presidência do Governo Regional.

A Força do Discurso Presidencial

O discurso do Dr. Alberto João Jardim naquele dia não foi apenas uma despedida; foi um manifesto de gratidão e uma diretriz política para o futuro.

·         O Reconhecimento: O Presidente dirigiu-se aos delegados e conselheiros não como visitantes, mas como pilares da Autonomia. Ele sublinhou que a Madeira não terminava nas suas costas, mas continuava viva em cada comunidade onde houvesse um madeirense.

·         A Mensagem à Diáspora: O áudio nítido que hoje partilho revela a importância que era dada à nossa voz. Naquelas palavras, sentíamos o peso da nossa responsabilidade: éramos os embaixadores de uma região que se modernizava (como provava o novo aeroporto) e que contava com o apoio dos seus filhos no estrangeiro.

O Convívio nos Jardins da Presidência

Após as palavras oficiais, a receção nos jardins da Quinta Vigia serviu para selar os laços de fraternidade.

·         União entre Delegados e Governo: Foi um momento de rara proximidade. Ver os representantes das comunidades de todo o mundo — da África do Sul à Venezuela USA Canada, das Ilhas do Canal, Reino Unido, Europa à Austrália — reunidos com os membros do Governo Regional num ambiente de festa e partilha, mostrava a coesão do nosso povo.

·         A Celebração: Com a participação das famílias dos delegados, a cerimónia transformou a Quinta Vigia numa extensão das nossas casas na Diáspora. Foi uma celebração da "Madeirensidade" no seu estado mais puro.

"Partilho este vídeo para que as novas gerações compreendam o nível de importância que o Congresso das Comunidades tinha. Ouvir o Dr. Alberto João Jardim naquela tarde de 2000 é recordar um tempo em que a voz da Diáspora ecoava com força no coração do poder regional."

"Este é um espaço de partilha e respeito pela nossa história comum. Todos os comentários são bem-vindos, desde que mantenham o tom de cordialidade que sempre pautou as nossas comunidades."


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